O volume de briefings da sua agência está infinitamente maior que o número de criativos para executá-los. Você precisa contratar novos profissionais urgente. Pois bem, não tem outro jeito, vai ser necessário entrevistar pessoas. Prepare-se, a missão é árdua. Mas tudo pode ficar mais divertido se você catalogar as pastas que aparecerem à sua frente, segundo um critério bastante conhecido em Hollywood. Você vai ver a seguir que tudo se encaixa perfeitamente.
Pasta Terror. Essa tem mais assombração que toda a cinematografia de Craven e Carpenter juntos. Conta sempre com fantasmas de alta patente como Nike, Coca-Cola e Apple. Numa escala menor vêm os tradicionais K-Y e uma infinidade de adoçantes. Por fim, o gasparzinho, o fantasminha do bem, representado pelos aqui jás anúncios da WWF ou Greenpeace.
Pasta Drama. Ela é inconfundível. Começa bem, segue bem. De repente…surge a tragédia. Daí em diante tudo descamba. Vem aquela tristeza, vontade de chorar. Esqueça. Pasta tem de ter final feliz.
Pasta Comédia. Essa é fantástica. Você segura, segura, mas não há como resistir, acaba soltando uma gargalhada. As piadas e trocadilhos vão numa tal crescente que você chega a perder o fôlego. Conclusão: não contrata, mas indica a diversas outras agências, porque tamanha diversão você não vai deixar de dividir com os amigos.
Pasta Western. É impossível definir essa categoria. Ela é ajeitada, peças bem feitas, tudo certinho. Só que ninguém gosta. É inexplicável.
Pasta Aventura. Todas as peças ali dentro foram feitas por um profissional de jornalismo, relações públicas, rádio e TV, sei lá, menos publicitário. É pura perda de tempo. Só tem absurdo e idéias impossíveis criadas por aventureiros.
Pasta Animação. Ela é criativa, não dá pra negar, mas é inusitada além do limite. Primeiro porque foi montada na década de 80. Aí, por uma razão misteriosa, ficou mais de 20 anos parada em alguma gaveta. Então, agora, por motivos ainda mais obscuros, ela volta a circular. Tudo bem, como eu disse, é criativa, mas ter todos os layouts desenhados à mão é demais para a realidade 2.0
Pasta Ficção. Desde o início você não acredita no que está vendo. Não é da nossa realidade. Mas, pasmem!, tem quem acredita. E ele está na sua frente.
Pasta Romance. É aquela que você olha, gosta, começa a se identificar cada vez mais. Porém, na hora H surge uma insegurança. Você sabe que ela é legal, faz seu tipo, mas ainda é cedo. Você sente que precisa conhecer outras possibilidades. Não quer firmar compromisso.
Pasta Documentário. Nela você encontra quatro anos de universidade documentados página por página. Tem texto de teoria da comunicação, desenho de psicologia, resenhas, tudo, menos propaganda. É então que você passa 5 minutos vendo a pasta e 50, com dó, explicando como é um portfolio de verdade.
Pasta Policial. É o tipo de pasta que logo de cara você reconhece diversos anúncios roubados. Têm peças de colegas de outras agências, peça de ex-dupla, da Archive, Clube de Criação, até da última Vejinha. Dispense antes que o dono memorize o anúncio que está enquadrado na parede da sala de reunião.
Pasta Guerra. Essa é todinha cheia de conflitos, nada está em harmonia. A fonte, as cores, a diagramação, os elementos, estão todos brigando uns com os outros. Parece que o redator fez o layout e o Diretor de Arte, os textos.
Pasta Suspense. O tempo todo ela dá a impressão que o melhor vai mesmo ficar para o final. Ela prende a sua atenção. Mas quando chega o fim, você já está convicto de que todo suspense precisa ter uma morte. Como só têm duas pessoas na sala de reunião, e você não é adepto do suicídio. Seja rápido.
Enfim, a melhor de todas. A insuperável. A única…
A grande pasta Pornô. Essa sim dá o maior tesão de ver. Logo de cara já surge um anúncio do caralho. Depois, a cada nova peça, você vai se convencendo que realmente está diante de um portfolio de foder. E não estranhe se ao terminar, der aquela vontade de fumar um cigarro. Mas não jogue com a sorte, essa oportunidade é única. Contrate sem olhar para trás.
Texto escrito e enviado por Rony Saqqara